Especialistas afirmam que o confronto entre Estados Unidos e Irã não deve escalar para um conflito global, apesar da tensão geopolítica e dos impactos econômicos possíveis no Oriente Médio.
O recente bombardeio dos Estados Unidos a instalações nucleares no Irã elevou o nível de tensão no cenário internacional, provocando reações da Rússia, China e países europeus. No entanto, segundo especialistas, o episódio não deve evoluir para uma Terceira Guerra Mundial.
Conflito regional, não global
De acordo com Kai Enno Lehmann, professor de Relações Internacionais da USP, não há interesse nem capacidade militar das principais potências para iniciar um confronto em escala mundial. Ele divide os atores globais em dois grupos:
- Estados Unidos e China: possuem poderio militar, mas têm interesses econômicos e estratégicos que tornam inviável uma guerra global.
- Rússia e Europa: não contam com recursos suficientes para sustentar um conflito dessa magnitude. A Rússia segue envolvida na guerra da Ucrânia e a Europa enfrenta limitações bélicas e divisões internas.
“Eu não vejo interesse por parte da China e dos Estados Unidos, e nem capacidade de europeus e russos para se envolver numa guerra mundial”, afirma Lehmann.
Alianças e reações internacionais
Apesar da aproximação entre Irã, Rússia e China, os especialistas apontam que os apoios são limitados:
- A China oferece suporte logístico, como insumos industriais utilizados na fabricação de mísseis, mas evita o envio de tropas ou armamentos pesados.
- A Rússia fornece apoio cibernético e de inteligência, além de respaldo diplomático, mas também evita ações que coloquem em risco sua relação com os EUA.
Segundo Fernando Brancoli, professor da UFRJ, tanto Moscou quanto Pequim atuam com cautela para não comprometer seus interesses estratégicos:
“Ambos evitam envolvimento direto para não arriscar suas relações com os Estados Unidos”, destaca.
Europa dividida e ineficaz
A resposta da Europa ao ataque também evidencia a fragilidade do bloco no cenário atual. Para Carolina Pavese, PhD em Relações Internacionais e professora do Instituto Mauá, a falta de uma posição unificada entre os países europeus dificulta qualquer influência relevante no desfecho do conflito.
Ela relembra outros contextos semelhantes, como a guerra na Síria e o conflito na Ucrânia, onde as potências globais atuaram em lados opostos sem que houvesse escalada para uma guerra mundial.
“A presença de superpotências em conflitos regionais não resultou em confronto direto entre Estados Unidos e seus adversários”, afirma Pavese.
Tensões no Golfo e risco econômico
O Parlamento iraniano aprovou o fechamento de uma importante rota marítima por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial, acendendo o alerta para uma possível crise energética e econômica global.
Embora as chances de um conflito armado mundial sejam pequenas, os impactos econômicos podem ser severos, especialmente com a instabilidade no Oriente Médio afetando mercados globais.
Interesse chinês na estabilidade
Um fator adicional que freia uma possível escalada global é o posicionamento da China. Potência industrial e altamente dependente das exportações, o país asiático busca manter a estabilidade geopolítica e econômica.
“A China não tem interesse em mergulhar o mundo numa nova crise econômica”, reforça Lehmann.
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